Sete anos sem você


Hoje faz sete anos da morte da minha mãe, Maria Nívia, a Dona Nívia, como eu a chamada, em uma brincadeira que só fazia sentido entre nós, chamando-a sem usar a palavra “mãe”. Logo ela, que amava tanto ser mãe.

Sinto falta dela todos os dias.

Ouvir isso a faria torcer o nariz, com certeza. Minha mãe me criou para ser independente, muitas vezes contra a minha própria vontade. Aprendi. Ela me ensinou a ler e a escrever, a fazer contas, a desenhar gatos e baleias, e me ensinou o amor incondicional, daqueles que a gente sente pelas pessoas que são realmente especiais na nossa vida. Sinto isso pelos meus filhos, pela minha mulher, por outras raras pessoas. E sei que era isso que ela, Dona Nívia, sentia por mim. Sua morte me lançou em um luto profundo, que, talvez por negá-lo, demorei a superar. Hoje, penso nela com carinho todos os dias e lembro dela ao ver minha cara no espelho, sua foto na estante e outras marcas suas ainda presentes na minha vida. Sua lembrança me deixa feliz. Sempre. Fui feliz em tê-la na minha vida e na vida dos meus filhos. Ela foi uma avó adorável. Só fico triste nesta época do ano, novembros ingratos, quando caio em mim e lembro que nunca mais, nunca mais mesmo (e isso é duro), a ouvirei dizer, com testa encostada no meu ombro, ao se despedir de mim, no portão da casa: “Meu filho querido.” Eu beijava a sua testa e ia embora, sabendo que ela me acompanharia com o olhar até que eu virasse a esquina. Se existe algo que sinto falta no mundo é ouvir essa frase curta, dita sempre baixinho, quase num sussurro, para ser ouvida apenas por mim. Essa frase, simples, me fazia querer ser um homem melhor. Algumas vezes, admito, consegui.

Se ela lesse isso, na certa, iria torceu o nariz. Imagina, diria, com certeza, um homem deste tamanho sentir falta da mãe ...


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